Governo do Rio entrega Plano de Reocupação Territorial ao STF

Governo do Rio entrega Plano de Reocupação Territorial ao STF

Documento formulado pela Secretaria de Segurança Pública atende às determinações da ADPF 635 e une retomada policial à oferta permanente de serviços sociais. Projeto piloto contemplará comunidades do Cinturão de Jacarepaguá

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Segurança Pública, entrega, nesta segunda-feira (22/12), o Plano Estratégico de Reocupação Territorial ao Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa atende às exigências estabelecidas no âmbito da ADPF 635 e reforça o compromisso do governo com uma atuação integrada, planejada e pautada no respeito aos direitos fundamentais.  

–  O termo reocupação não se refere apenas ao retorno da polícia, mas à volta do Estado – no sentido amplo, unindo os poderes estadual, municipal e federal. O foco é a permanência e a transformação da realidade local por meio da integração entre segurança e serviços sociais, conforme as diretrizes do STF e os anseios da população fluminense – ressaltou o governador Cláudio Castro.

Com base em critérios técnicos de criticidade, alcance populacional, indicadores sociais e risco de expansão territorial, o estudo de viabilidade apontou como prioridade para o projeto-piloto as comunidades de Gardênia Azul, Rio das Pedras e Muzema, na Zona Sudoeste, que fazem parte do Cinturão de Jacarepaguá. A região, historicamente marcada pela atuação de milícias e recentes disputas entre facções criminosas, receberá ações integradas que visam desarticular a economia do crime e restabelecer a ordem pública e a dignidade dos moradores. O plano de reocupação nesta região vai impactar 1,2 milhão de pessoas.

A estimativa é de que o crime organizado tenha lucrado na região R$ 10 bilhões com compra e venda de imóveis, R$ 3 milhões por mês com serviço de internet e R$ 4 milhões por mês com gás. Estão em processo de finalização de estimativas de ganhos com água em galão, carvão, mototáxi, óleo e taxa cobrada ao comércio local.

–  A reocupação desses territórios será não apenas para conter a expansão do Comando Vermelho, mas para interromper o processo de consolidação dessa facção em uma área com grande potencial de crescimento e a capacidade de atuação integrada do Estado, Município e Governo Federal – afirmou o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos.

O documento, com 232 páginas, estabelece diretrizes operacionais e estratégicas para a retomada e a manutenção desses territórios, com foco na redução da violência, na preservação da vida e no fortalecimento da presença permanente do Estado. Como parte do diagnóstico, a Secretaria de Segurança Pública encomendou ao Instituto Data Favela, da CUFA e a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos pesquisas sobre os anseios dos moradores para identificar e atender de forma mais adequada às demandas da população.

-Nosso maior objetivo é que a população volte a ser livre e que seja dona do seu território, sem domínio de facções criminosas. A presença contínua do poder público, levando serviços públicos essenciais e sempre dialogando com os moradores, é o caminho para transformar realidades – disse o governador.

Pesquisa nas comunidades

A Secretaria de Desenvolvimento Social ouviu 400 pessoas dessas comunidades quanto à expectativa com o plano de reocupação, e 58,5% dos moradores afirmam ter boas expectativas. Além disso, 39% dos entrevistados acreditam que o plano dará resultado na qualidade de vida dos moradores. Quando perguntados sobre o que eles menos gostam, 38% pessoas afirmaram ser infraestrutura, 32%, problemas ambientais, 20%, desordem urbana e 10%, segurança. Sobre as melhorias esperadas para a região, saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura, esporte e lazer foram citadas.

–  Nosso papel na segurança pública é viabilizar a oferta de serviços essenciais como educação, habitação, saúde, cultura, esporte, saneamento e internet. A polícia não pode ser o único serviço presente na comunidade. Isso já vimos que não funciona – explicou o secretário de Segurança Pública.

Elaboração do Plano

Ao longo dos últimos meses, reuniões foram realizadas pelos Grupos de Trabalho que compõem as Câmaras Temáticas, com o objetivo de discutir as medidas que serão implementadas na etapa operacional. O plano está estruturado em cinco eixos temáticos que guiarão a atuação transversal entre União, Estado e Município:

Segurança Pública e Justiça: implementação de Bases Integradas de Segurança Territorial (BIST) com funcionamento 24h, policiamento comunitário, Justiça Itinerante e repressão qualificada ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Desenvolvimento Social: instalação de Centros da Juventude e Oportunidades (CJO), requalificação de escolas para tempo integral, e fortalecimento da rede de proteção (CRAS, CREAS e Conselhos Tutelares).

Urbanismo e Infraestrutura: obras de saneamento, iluminação pública estratégica, regularização fundiária com entrega de títulos de propriedade e melhoria da mobilidade urbana.

Desenvolvimento Econômico: criação de Zonas de Incentivo ao Empreendedorismo (ZIE), microcrédito e parcerias com empresas para contratação de mão de obra local, visando substituir a “economia do crime” por oportunidades lícitas.

Governança e Sustentabilidade: criação do Gabinete Integrado de Gestão Territorial (GIGT) e conselhos populares para garantir a participação ativa dos moradores e a transparência das ações.

A estratégia definida pelo Plano de Reocupação prevê um ciclo dividido em fases: Diagnóstico, Intervenção Integrada, Estabilização, Consolidação de Serviços e Desenvolvimento Sustentável. Além de uma camada transversal de Governança que irá monitorar todas as etapas para assegurar a continuidade. O Plano Estratégico servirá de base para a elaboração dos Planos Táticos específicos de cada território, que contarão com cronogramas objetivos e matrizes de responsabilidade compartilhada entre os entes federativos.

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