Após tragédia no Recreio, moradores cobram fiscalização de voos de helicópteros na Barra da Tijuca
A colisão entre dois helicópteros que deixou seis mortos no Recreio dos Bandeirantes, na manhã deste domingo, ocorreu às vésperas de uma reunião entre moradores da Barra da Tijuca e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), marcada para discutir o aumento de voos de aeronaves sobre a região.
O encontro, agendado para o próximo dia 22, tinha justamente como pauta reclamações sobre o aumento do número de aeronaves sobrevoando a região e o descumprimento de regras de altitude. Para moradores e representantes de associações locais, a tragédia reacendeu um debate antigo.
Moradora da região, Jeane Canivello, de 62 anos, presenciou o momento do acidente da varanda de casa. Segundo ela, o primeiro susto veio pelo barulho. “Ouvi um helicóptero, mas aqui já existe um fluxo muito grande de aeronaves. Inclusive, é um assunto que a gente comenta em casa porque sempre existiu esse receio de que pudesse acontecer uma tragédia”, contou, admitindo que ao ouvir a explosão imaginou que o barulho tivesse vindo de dentro do condomínio: “Na hora, achei que fosse um caminhão batendo no carro do meu marido. Quando abri a porta, vi uma fumaça preta, mas ainda não tinha entendido o que tinha acontecido”, afirmou Jeane.
De acordo com os bombeiros, cinco pessoas estavam em um helicóptero e apenas o piloto estava na outra aeronave. Os identificados foram: Oliver Tree Nickel – passageiro; Lucas Vignale – passageiro; Gaspar Prim – passageiro; Lucas Brito Chaves – passageiro; Alexandre Souza – piloto e Charles Marsillac – piloto.
Segundo o presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Delair Dumbrosck, há vários anos a Câmara Comunitária questiona esses voos de helicópteros sobre a Barra.
“Principalmente das grandes aeronaves. No próximo dia 22 estamos com reunião marcada para discutir por que não foram tomadas providências e também multadas 34% das aeronaves que desrespeitaram os limites de altitude nos voos durante um período de aproximadamente seis meses. Portanto, esta era uma tragédia anunciada”, afirmou Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca.
Ao menos 20 veículos foram incendiados após a queda de dois helicópteros em um pátio de veículos elétricos na avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, zona Sudoeste do Rio de Janeiro. (Veja Imagem):
A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que foi acionada ao local e, durante a ação inicial, foram aplicadas técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados.
Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) também lamentou o ocorrido e informou que está apurando a situação das aeronaves. Veja:
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que tomou ciência do acidente aéreo, envolvendo dois helicópteros, hoje, 14 de junho, no Rio de Janeiro, e está apurando a situação das aeronaves e pilotos envolvidos no caso. As investigações sobre as causas, por sua vez, serão conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
O desembargador, Ricardo Couto, governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro soltou nota: “Manifestamos profundo pesar pelas seis vítimas decorrentes do acidente envolvendo duas aeronaves na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, nesta manhã. Neste momento de dor, expresso minha solidariedade aos familiares e amigos das vítimas da tragédia.
Acompanho a atuação dos órgãos estaduais mobilizados para o atendimento. O Destacamento de Bombeiros Militar do Recreio dos Bandeirantes foi deslocado imediatamente, com apoio de equipes especializadas”, afirmou no texto o chefe do Executivo Estadual.
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