Empresária diz querer colaborar com a Polícia Federal e afirma que tem informações sobre reuniões com integrantes do governo; presidente nega envolvimento e diz que desconhece as acusações
Por Wellington Serrano Gomes
A empresária e lobista Roberta Luchsinger voltou ao centro da disputa política nacional após afirmar que pretende fazer uma delação premiada e que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As declarações foram feitas em entrevista à CNN Brasil, no sábado (17), e repercutiram no primeiro debate do segundo turno presidencial, realizado pela Band, na noite de domingo (18).
Roberta afirmou que se sente injustiçada e contestou declarações de Lula sobre sua relação com o governo federal. Segundo ela, houve reuniões com ministros e encontros envolvendo Lulinha. A empresária disse que possui informações que pretende apresentar às autoridades, mas afirmou que está submetida a medidas cautelares que limitam o que pode revelar publicamente.
O presidente, por sua vez, negou conhecer Roberta e afirmou desconhecer as supostas tratativas mencionadas por ela. Em nota divulgada antes do debate, Lula classificou as declarações como acusações sem comprovação e questionou o momento em que foram apresentadas, às vésperas da votação.
Durante o confronto na televisão, o senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrou explicações do adversário sobre a empresária e as suspeitas envolvendo Lulinha. Lula respondeu que o caso cabe à Polícia Federal e afirmou que o filho prestará esclarecimentos às autoridades.
INVESTIGAÇÃO – Roberta é investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Polícia Federal apura movimentações financeiras envolvendo uma empresa ligada ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e uma companhia vinculada à lobista.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, os investigadores apuram a finalidade de transferências financeiras e a possível existência de uma relação comercial não declarada entre Roberta e Lulinha. A empresária foi alvo de medidas judiciais durante a investigação e nega irregularidades.
A apuração também busca esclarecer se houve tráfico de influência e se recursos movimentados no esquema tiveram outros destinatários. A existência de suspeitas, contudo, não significa que os crimes tenham sido comprovados. A defesa de Lulinha também nega envolvimento em irregularidades.
Delação não significa culpa comprovada
A intenção de Roberta de negociar uma delação premiada acrescenta um novo elemento à disputa política, mas não significa que exista um acordo formalizado nem que as acusações tenham sido comprovadas.
Pela legislação brasileira, a colaboração premiada é um instrumento de investigação que depende do cumprimento de requisitos legais e da efetividade das informações fornecidas. As declarações do colaborador, isoladamente, não bastam para fundamentar uma condenação: precisam ser corroboradas por outros elementos de prova.
Caso decida formalizar a proposta, Roberta terá de apresentar informações relevantes às autoridades, que deverão avaliar sua consistência e eventual contribuição para o esclarecimento dos fatos.
Até que as investigações avancem, as declarações da empresária e as suspeitas envolvendo os personagens citados permanecem sujeitas à apuração. O caso, entretanto, já ultrapassou o campo policial e passou a alimentar o confronto político entre Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da eleição.
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