Caso Banco Master amplia tensão em Brasília e chega ao Conselho Superior do MPF

Caso Banco Master amplia tensão em Brasília e chega ao Conselho Superior do MPF

Conselho analisa nesta sexta-feira atuação de Paulo Gonet nas investigações; mensagens de Daniel Vorcaro também colocaram o STF no centro da crise

O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos políticos e institucionais nesta sexta-feira (25), em Brasília. O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisa se existem elementos para abrir uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao banco e ao ex-controlador Daniel Vorcaro.

A discussão foi provocada por uma representação apresentada por parlamentares do Partido Novo depois da divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. O pedido questiona a atuação de Gonet nos procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e também solicita que ele deixe de atuar nos casos relacionados ao Banco Master.

Entre os possíveis desfechos está a designação de um subprocurador-geral da República para analisar os fatos. Outra possibilidade é o arquivamento do procedimento, caso o Conselho entenda que não existem elementos suficientes para avançar com uma investigação. A eventual abertura de apuração, por si só, não significa que Gonet tenha cometido crime.

Gonet nega proximidade com Vorcaro

Durante uma sessão do STF realizada em 15 de setembro, Gonet afirmou que não mantinha relação de proximidade ou amizade com Vorcaro. Segundo o procurador-geral, o único encontro presencial entre os dois ocorreu em abril de 2024, durante um evento jurídico em Londres, e a ligação telefônica intermediada por um advogado teria sido breve.

A documentação analisada pelo MPF, entretanto, trouxe mensagens e registros de contatos envolvendo Gonet e pessoas próximas a Vorcaro. Uma fotografia também mostra o procurador-geral ao lado do então banqueiro durante o evento em Londres. Gonet afirma que não tinha conhecimento prévio de que o Banco Master era patrocinador do encontro.

STF também entra no centro da disputa

O episódio se soma a uma disputa dentro do próprio Supremo envolvendo mensagens atribuídas a Vorcaro e referências ao ministro Alexandre de Moraes. Em 15 de setembro, o ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise de uma questão de ordem que discutia se dois procedimentos relacionados ao caso deveriam ser julgados conjuntamente. O mérito da Petição 16.662 não chegou a ser analisado naquela sessão.

A sessão foi marcada ainda por um confronto verbal entre integrantes da Corte. A discussão ocorreu depois de Gonet se manifestar sobre sua relação com Vorcaro. O episódio aumentou a exposição pública das divergências internas provocadas pelo caso.

Um caso que ultrapassou o Banco Master

As investigações passaram a envolver diferentes autoridades e instituições. Documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal também levaram a questionamentos sobre contatos de Vorcaro com ministros do STF e pessoas próximas a integrantes da Corte.

O caso agora avança simultaneamente em diferentes frentes: no STF, onde tramitam procedimentos relacionados às mensagens encontradas pela PF; no MPF, que avalia a atuação de Gonet; e nas investigações que apuram as circunstâncias envolvendo o Banco Master e Vorcaro.

O Conselho Superior do MPF deverá decidir se o material apresentado contém elementos suficientes para uma apuração específica sobre a atuação do procurador-geral. Até o momento, Gonet nega ter mantido relação de proximidade com Vorcaro e sustenta que está juridicamente apto a continuar atuando nos procedimentos relacionados ao caso.

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