Israel pode enfrentar déficit de soldados em meio à nova ofensiva em Gaza

Israel pode enfrentar déficit de soldados em meio à nova ofensiva em Gaza

Planos de Netanyahu têm provocado condenações crescentes tanto de líderes internacionais quanto domesticamente

À medida que os estágios iniciais de um grande ataque à Cidade de Gaza se moldam, Israel está convocando dezenas de milhares de reservistas para participar da operação militar iminente.

A tomada e ocupação da maior cidade do norte de Gaza, que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou ser uma das últimas fortalezas do Hamas, exigirá que o exército mobilize mais 60 mil reservistas e estenda o serviço a outros 20 mil.

Esses planos têm provocado condenações crescentes tanto internacional quanto domesticamente, devido ao temor de que a crise humanitária em Gaza piore — e que a vida dos reféns restantes seja ainda mais ameaçada por uma operação militar ampliada.

O exército israelense já está nos arredores da Cidade de Gaza, disse na quarta-feira (20) o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), general de brigada Effie Defrin, descrevendo isso como os primeiros passos de uma operação maior.

Quando o conselho de segurança aprovou inicialmente a ofensiva, os oficiais israelenses estimaram que o plano poderia levar cinco meses ou mais. Mas Netanyahu instruiu o exército a encurtar esse prazo.

Após quase dois anos de guerra, e sem uma endente clara, o chefe militar de Israel alertou sobre a carga adicional sobre as tropas, muitas das quais foram convocadas várias vezes para lutar em Gaza.

O comandante do Estado-Maior da IDF, general de brigada Eyal Zamir, disse ao conselho de segurança no início deste mês que o exército enfrentava desgaste e esgotamento. No entanto, suas preocupações foram desconsideradas enquanto Netanyahu e seus aliados de coalizão avançavam com os novos planos de guerra.

Uma nova pesquisa do Agam Labs, na Universidade Hebraica de Jerusalém, sugeriu que aproximadamente 40% dos soldados estavam pouco ou significativamente menos motivados a servir, enquanto pouco mais de 13% estavam mais motivados.

Os resultados evidenciam a dura realidade enfrentada pelo exército de Israel, que pode enfrentar limitações em seu efetivo, especialmente visto que pesquisas repetidamente mostram que a maioria esmagadora do país apoia o fim da guerra.

Líderes militares têm pedido ao governo que convoque homens ultraortodoxos para o serviço, para reforçar as tropas sobrecarregadas. Mas a grande maioria da comunidade ultraortodoxa se recusou a servir, e, a pedido deles, o governo está promovendo uma ampla isenção do serviço militar obrigatório.

Essa discussão política, ocorrendo em meio à guerra, só aumentou a insatisfação de muitos que servem.

Após a aprovação do novo operação pelo conselho de segurança, uma pequena organização de reservistas em Israel renovou os apelos para que os soldados recusem ordens militares de servir.

“Seus filhos não sabem como recusar por conta própria, porque é difícil. É quase impossível,” afirmou o Soldiers for Hostages nas redes sociais no início deste mês. Outras organizações de reservistas não defenderam publicamente a recusa aberta, o que provavelmente é uma decisão privada de não servir.

A IDF não divulga números ou porcentagens de reservistas que não comparecem quando convocados.

Avshalom Zohar Sal serviu mais de 300 dias em Gaza em quatro missões diferentes. Sua última missão terminou há apenas um mês, e ele não quer mais voltar à linha de frente, especialmente numa operação em Gaza City.

“Estou um pouco em choque que ainda estamos falando sobre essa guerra que devia ter acabado há muito tempo,” disse Zohar Sal.

Ele afirma que as dúvidas, que começaram a surgir há um ano, só ficaram mais fortes, e outros membros de sua unidade compartilham das mesmas preocupações.

“Acredito que essa decisão é uma sentença de morte para os reféns,” afirmou. “O governo falou e disse o tempo todo que há duas missões nesta guerra: devolver os reféns e derrotar o Hamas. Agora é como se nos dissesse que só há um objetivo, que eu não acredito ser alcançável: destruir o Hamas. E mesmo assim, isso não destruírá o Hamas.”

O exército de Israel possui um contingente relativamente pequeno de soldados em serviço ativo, composto principalmente por conscritos.

Para continuar lutando na guerra mais longa do país até hoje, Israel precisa depender dos reservistas.

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