Oposição assume controle da Câmara e do Senado após eleições de meio de mandato; resultado representa forte revés político para o presidente americano, que terá dificuldades para aprovar sua agenda nos próximos dois anos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma expressiva derrota política nas eleições legislativas realizadas nesta terça-feira (3). O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, retirando dos republicanos o controle das duas casas do Congresso americano. O resultado representa uma forte rejeição à administração Trump e pode mudar os rumos da política do país até o fim do mandato presidencial.
A vitória democrata foi considerada uma onda eleitoral, com conquistas importantes inclusive em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos. No Senado, os democratas alcançaram 54 das 100 cadeiras, enquanto na Câmara ultrapassaram o número necessário para garantir a maioria, com pelo menos 225 representantes eleitos, segundo os resultados divulgados nesta quarta-feira (4).
Entre as vitórias mais significativas estão as conquistas democratas no Texas, Kansas, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Iowa e Ohio. No Texas, considerado um dos principais redutos republicanos, o democrata James Talarico derrotou Ken Paxton na disputa pelo Senado. No Kansas, Adam Hamilton conquistou uma cadeira que estava nas mãos dos republicanos.
A derrota também atingiu aliados importantes de Trump. O resultado mostrou o desgaste do governo em meio à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, a inflação, a política tarifária e a guerra com o Irã.
RESULTADO – Apesar do revés, Trump afirmou que está disposto a aceitar o resultado das eleições. Em entrevista ao jornal The New York Times, o presidente disse que pretende trabalhar com os democratas, embora tenha ameaçado vetar propostas que considerar inaceitáveis.
A nova configuração do Congresso deve dificultar a aprovação de projetos do governo e ampliar a fiscalização sobre a administração republicana. Os democratas também poderão abrir investigações, convocar autoridades e barrar indicações feitas pelo presidente para cargos importantes.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, funcionam tradicionalmente como um termômetro da popularidade do presidente. A votação ocorre na metade do mandato presidencial, dois anos depois da eleição que define o ocupante da Casa Branca.
Com a derrota republicana, Trump entra nos dois últimos anos de governo sob pressão de uma oposição fortalecida, que passa a ter instrumentos importantes para limitar suas decisões políticas.
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