Paciente de 21 anos estava internado havia duas semanas no Hospital Estadual Alberto Torres; unidade já captou mais de 200 órgãos neste ano
A família de um jovem de 21 anos autorizou, na manhã desta segunda-feira, a doação de órgãos para transplantes após a confirmação da morte encefálica do paciente, vítima de um acidente de moto. Ele estava internado havia duas semanas, em estado gravíssimo, no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo.
A equipe do RJ Transplantes, da Secretaria de Estado de Saúde, e os profissionais da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do hospital realizaram a captação de fígado, pâncreas e rins em um dos centros cirúrgicos da unidade. Dois veículos da secretaria estadual deram suporte à operação para garantir o transporte dos órgãos até os locais de destino.
O protocolo para confirmação da morte encefálica foi iniciado na última sexta-feira. Após a realização de todos os exames obrigatórios, o diagnóstico foi confirmado no domingo. Em seguida, médicos, profissionais de psicologia e assistentes sociais acolheram os familiares e conversaram sobre a possibilidade da doação. Mesmo abalados pela perda, eles autorizaram o procedimento.
Hospital tem outros protocolos em andamento
A equipe de doação do Hospital Estadual Alberto Torres acompanha outros dois casos de pacientes com suspeita de morte encefálica. Assim como o jovem, os pacientes também se envolveram em acidentes de moto.
Somente neste ano, o HEAT já realizou a captação de mais de 200 órgãos, além de tecidos como pele e ossos, destinados a transplantes e procedimentos que podem beneficiar pacientes que aguardam por tratamento.
Acidentes de moto sobrecarregam atendimento
Referência no atendimento a pacientes com múltiplos traumas no Estado do Rio de Janeiro, o Hospital Estadual Alberto Torres continua enfrentando uma demanda acima da capacidade de atendimento. Segundo funcionários da unidade, o aumento das ocorrências envolvendo motociclistas tem provocado o cancelamento de dezenas de cirurgias previamente agendadas nas últimas semanas.
Equipes de ortopedia, cirurgia geral, neurocirurgia e bucomaxilofacial realizam, juntas, cerca de 15 cirurgias por dia. No entanto, conforme os relatos dos profissionais, o número de novas vítimas de acidentes pode chegar a 30 em apenas um dia. Nos fins de semana, a demanda chega a triplicar.
“Estamos enxugando sangue. Não é nem mais gelo”, afirmam funcionários, ao descrever a pressão sobre as equipes diante da entrada contínua de pacientes na emergência e no centro de trauma.
O cenário evidencia o impacto dos acidentes de trânsito sobre a estrutura hospitalar, que precisa conciliar o atendimento imediato às vítimas graves com os procedimentos cirúrgicos já programados.
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