Jornalista e escritor, imortal da ABL, marcou gerações com reportagens, livros e um olhar atento sobre o Brasil
Por Wellington Serrano Gomes
O jornalismo brasileiro perdeu nesta terça-feira (22) um de seus grandes nomes. Zuenir Ventura morreu aos 95 anos, em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. Jornalista, escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele construiu uma trajetória de mais de seis décadas, marcada por grandes reportagens, livros e pela capacidade de transformar acontecimentos do país em histórias que atravessaram gerações.
Autor de 1968 – O Ano que Não Terminou e Cidade Partida, Zuenir passou por importantes veículos de comunicação, entre eles Jornal do Brasil, O Globo, Veja, IstoÉ e Correio da Manhã. Também recebeu importantes reconhecimentos ao longo da carreira, como o Prêmio Esso, o Vladimir Herzog e o Jabuti de Reportagem.
Mas, além da trajetória que entrou para a história da imprensa brasileira, Zuenir deixa também memórias pessoais entre jornalistas que tiveram a oportunidade de acompanhá-lo de perto.
Uma lembrança que ficou
Entre essas lembranças está a experiência de ter acompanhado Zuenir Ventura no projeto Tim Grandes Atores. A oportunidade de estar ao lado de um jornalista daquele tamanho, observando de perto sua maneira de conduzir os encontros e de conversar com os grandes nomes da cultura brasileira, ficou marcada como uma experiência especial.
Mais do que o currículo extenso e os prêmios, a lembrança é de um profissional que carregava a experiência de décadas de jornalismo sem perder a simplicidade no trato com as pessoas. Era justamente essa combinação que fazia de Zuenir uma referência para diferentes gerações de jornalistas.
Sua trajetória começou em 1956, inicialmente como arquivista, e passou por algumas das principais redações do país. Ao longo das décadas, foi repórter, editor, colunista e escritor. Em 2015, passou a ocupar a Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o escritor Ariano Suassuna.
Zuenir também ficou conhecido pela cobertura de episódios decisivos da história brasileira. Entre seus trabalhos de destaque estão a cobertura do assassinato de Chico Mendes e as reportagens que deram origem a livros que se tornaram referências para compreender o país.
A despedida acontece em um momento em que o jornalismo brasileiro volta os olhos para a trajetória de uma geração que ajudou a transformar a reportagem em memória. Para quem teve a oportunidade de acompanhá-lo, como no projeto Tim Grandes Atores, fica também a lembrança do encontro com um mestre do jornalismo.
O corpo de Zuenir será velado nesta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras, e sepultado no mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista.
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