Niteroienses perdem Paulo Eduardo Gomes, uma das figuras históricas da política da cidade

Niteroienses perdem Paulo Eduardo Gomes, uma das figuras históricas da política da cidade

Paulo Eduardo Gomes foi o vereador mais votado de Niterói em 2012, com 8.011 votos

Por Wellington Serrano Gomes

Niterói perdeu, na noite deste sábado (5), uma das figuras mais marcantes de sua história política. O ex-vereador Paulo Eduardo Gomes, conhecido como PEG, morreu aos 75 anos. Ele enfrentava um câncer e estava internado no Centro Hospitalar de Niterói (CHN). A informação foi divulgada pelo PSOL, partido do qual foi um dos fundadores.

Engenheiro de Telecomunicações formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo Eduardo iniciou a carreira profissional na Embratel. Na empresa, participou da fundação da Associação dos Empregados da Embratel, entidade que presidiu por três mandatos. Também foi professor de Física do Liceu Nilo Peçanha, onde havia estudado.

Sua trajetória política começou ainda nos primeiros anos de redemocratização. Paulo Eduardo esteve entre os fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e, posteriormente, participou da construção do PSOL em Niterói. Ao longo de sua vida pública, exerceu seis mandatos como vereador e disputou a Prefeitura de Niterói em duas oportunidades, em 1996 e 2008.

Na Câmara Municipal, PEG ficou conhecido pela atuação firme na oposição e pela fiscalização do Executivo. Seus discursos eram marcados pelo conhecimento técnico, pela capacidade de argumentação e pela defesa de pautas relacionadas aos trabalhadores, aos serviços públicos e aos movimentos sociais.

Em 2012, Paulo Eduardo viveu um dos momentos mais expressivos de sua trajetória eleitoral. Foi eleito vereador com 8.011 votos, tornando-se o candidato mais votado daquela eleição em Niterói.

Mesmo fora do Legislativo em alguns períodos, nunca deixou de participar da vida política da cidade. Para companheiros de militância e até adversários, tornou-se uma referência de uma geração de políticos que fez da atuação parlamentar uma extensão das lutas sociais.

O PSOL de Niterói lamentou profundamente a morte e destacou que a trajetória de Paulo Eduardo se confundia com a história das lutas populares e democráticas da cidade. Nas redes sociais, políticos como Chico Alencar, Marcelo Freixo e Glauber Braga também prestaram homenagens ao ex-vereador.

LEMBRANÇA

Tenho uma lembrança muito particular de PEG, que guardo até hoje. Certa vez, passava em frente à sede do PSOL, no Centro, indo para redação de A Tribuna, e encontrei Paulo Eduardo. Eu havia acabado de sair do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), onde acompanhara a apuração da eleição.

Naquele momento, eu tinha uma informação que ele ainda não sabia. Fui o primeiro a contar a Paulo que ele havia sido o vereador mais votado de Niterói. A votação, que depois seria oficialmente publicada em 8.011 votos, representava uma marca importante na trajetória daquele político que já tinha uma história construída na cidade.

Lembro da cena e, principalmente, da reação de Paulo. Era um homem de fala firme, acostumado aos embates políticos e às discussões acaloradas, mas aquele momento tinha algo diferente. Havia ali a surpresa e a emoção de quem acabara de descobrir que milhares de pessoas haviam escolhido seu nome para representá-las.

Anos depois, olhando para aquela cena, percebo a dimensão daquele momento. Eu não estava apenas diante de um vereador eleito. Estava diante de um personagem que ajudaria a escrever mais alguns capítulos da história política de Niterói.

Paulo Eduardo Gomes deixa uma trajetória marcada pela política, pela militância e pela defesa de suas convicções. Mas deixa também lembranças em quem, de alguma maneira, cruzou seu caminho.

Niterói perde um de seus personagens políticos mais conhecidos. E eu guardo comigo a lembrança de ter sido, naquele dia, o primeiro a lhe dar uma notícia que certamente jamais esqueci — e que talvez ele também nunca tenha esquecido.