Psicanalista niteroiense comenta pesquisa que relaciona uso excessivo de redes sociais ao aumento da ansiedade entre brasileiros

Psicanalista niteroiense comenta pesquisa que relaciona uso excessivo de redes sociais ao aumento da ansiedade entre brasileiros

Segundo Andrea Ladislau, estudo revelou que quase metade dos usuários que passam mais de três horas online possuem diagnóstico de transtorno ansioso

O hábito de “checar só mais uma vez” as notificações do celular pode custar caro à saúde mental. De acordo com o mais recente relatório sobre o tema, realizado pelo Instituto Cactus e AtlasIntel ao final de 2023, a correlação entre tempo de tela e mal-estar emocional é alarmante: 43,5% dos brasileiros que utilizam redes sociais por três horas ou mais ao dia possuem diagnóstico de ansiedade.

O estudo, que ouviu 3.266 pessoas acima de 16 anos, destaca que o perfil mais afetado por esse cenário é composto, em sua grande maioria, por mulheres.

O “NÓ NO PEITO E A VIDA IRREAL – Os números da pesquisa ganham rosto na rotina de Maria Silva (nome fictício), de 46 anos, que faz parte da estatística de mulheres que veem o tempo de tela se transformar em gatilho emocional.

“Durmo com o telefone próximo da cama e qualquer barulho ou vibração já me desperta. Ao acordar, já começo o dia entrando nas redes sociais, olhando os grupos e, quando percebo, já perdi mais de uma hora à toa. A ansiedade surge como um nó no peito e dor de cabeça antes mesmo de eu levantar”, relatou.

O sentimento de inadequação também é um sintoma comum. Eloisa Molinaro, 66 anos, sentiu na pele o peso da comparação constante.

“Começou a me dar uma ansiedade, uma tristeza. Eu dizia: ‘não é possível, minha vida é muito chata’. Eu via todo mundo bem, todo mundo maravilhoso, e queria estar sempre sabendo o que estava acontecendo”, desabafou Eloisa.

IMPACTO NO COMPORTAMENTO – Para a psicanalista Andrea Ladislau, o consumo desenfreado de conteúdo digital atua como um gatilho para diversos transtornos.

“O uso excessivo estimula doenças emocionais e físicas que, se não tratadas a tempo, podem ser irreversíveis”, alerta a especialista.

Entre os principais riscos listados por Ladislau, destacam-se: queda na autoestima e comparação constante; estímulo à fobia social e menor interação presencial; o medo patológico de estar desconectado ou longe do aparelho e o uso das redes como refúgio para quem já sofre de depressão, evitando o enfrentamento de sentimentos reais.

Eloisa percebeu que esse comportamento gerava conflitos em casa. “Um dos motivos de briga com meu marido é que ele perguntava o que tinha de tão interessante no celular. Percebo que me desconecto totalmente da realidade, mergulho na vida do telefone e sinto culpa por entrar nesse círculo vicioso”, contou.

Embora o celular seja uma ferramenta essencial na vida moderna, a mudança comportamental é apontada como a única saída para frear os sintomas de ansiedade. A recomendação principal não é o abandono total, mas a interrupção periódica.

“Fazer pausas constantes é uma das medidas mais assertivas e que traz resultados rápidos”, explicou a psicanalista.

Essas interrupções ajudam na reeducação do sistema cerebral de recompensas, que é constantemente alterado pelos estímulos da internet. Atualmente, Eloisa encontrou no trabalho com um bebê o motivo ideal para se desligar.

“Tenho que ficar o tempo todo interagindo com ela. Deixo meu telefone na bancada e só dou uma checada rápida. Praticamente não pego no telefone e isso tem um efeito muito melhor”, afirmou.

Já Maria buscou refúgio na natureza para se desconectar.

“Estou frequentando a casa da minha mãe mais vezes, pois além de ser num lugar lindo, lá não tem sinal de telefone, fico totalmente offline e isso está começando a me dar um alívio”, relatou.

DICAS PARA O EQUILÍBRIO Atividades simples podem substituir o tempo de tela e salvar o bem-estar do indivíduo como substituir o telefone por um livro físico; uma boa conversa com amigos, filhos e familiares; aplicar a calma e paciência para saborear e degustar um alimento, apreciando cada nota de sabor; ouvir uma boa música relaxante; deitar e se permitir não fazer nada ou fazer uma atividade física prazerosa.

“A conscientização sobre o tempo dedicado aos eletrônicos é, hoje, um pilar fundamental para garantir relações pessoais, profissionais e acadêmicas mais leves e saudáveis”, conclui a dra. Andrea.

*O nome Maria Silva foi alterado a pedido da entrevistada para preservar sua privacidade.

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