Os médicos não tinham muito esperança dele sobreviver
Ele chegou na emergência do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo (RJ), há 19 anos. Estava em coma. Logo, no entanto, foi diagnosticado com distrofia muscular, uma doença degenerativa que afeta os músculos que, além de impedi-lo de andar, também dificulta a respiração.
Mas o tempo foi passando, uma equipe multidisciplinar entrou em campo, foi cuidando dele e nesta quarta-feira (04) o então pequeno Kauã de Melo Leandro chega aos 21 anos. Kaká, como é carinhosamente chamado por todos, é mais do que um paciente: é um hóspede, um filho que a equipe do Heat “adotou” para cuidar e garantir sua saúde.

Por não ter condição de sobreviver sem o suporte dos equipamentos hospitalares, ele ganhou um ambiente adaptado no setor de pediatria onde recebe todos os cuidados e carinho. Tem acesso ao ensino público com professoras que visitam regularmente o hospital, recebe visitas diárias dos profissionais da unidade que o adotaram e também dos familiares.
Participa dos eventos comemorativos no setor da pediatria e curte muito as festas do seu aniversário, Páscoa, Festa Junina, copa de futebol, crianças e do Natal. Todos anos, nesta data, os funcionários se mobilizam para cantar os parabéns para Kauã.

Hoje não foi diferente. Ele ganhou mais uma festa de aniversário com direito a bolo, docinhos, picolé, cachorro quente, gelatina, sucos e muito amor.
“Todos os anos ele escolhe o tema dos aniversários. Já teve Bombeiros, Flamengo, Minions, WhatsApp entre outros. Este ano será o Bloco do Cauã. Então nos organizamos e preparamos tudo para deixá-lo feliz, como sempre”, contou a médica Leila Alves.
Devido à doença, Kauã não tem a rigidez necessária nos músculos para sustento do corpo e, por isso, depende de leito apropriado ou cadeira de rodas, além de respirador com oxigênio 24 horas. Apesar da doença, Kauã não tem nenhum comprometimento neurológico e entende tudo que acontece a seu redor.
Porém, de família de origem humilde e sem possibilidade de tratamento em casa por conta da complexidade dos equipamentos e dos profissionais necessários, Kauã passou a viver no Heat para se desenvolver com mais qualidade de vida. E assim já se passaram mais de 21 anos – e esta quarta-feira foi mais um dia para comemorar a vida, brindar a esperança e celebrar a superação de dificuldades.
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